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Prefácios

Tenho tido a oportunidade e o privilégio de estar presente em algumas belas obras da literatura evangélica brasileira, através de prefácios e apresentações. Você pode ler esses textos nesta página, bem fará se puder ler, também, os próprios livros.

Religiosidade nunca mais

RELIGIÃO: INTOLERÂNCIA, ESPETÁCULO OU UTOPIA?

 

Esta é a pergunta certa que o homem faz neste início de século e de milênio. Tudo devido as demonstrações diversas dos efeitos de uma religião que oscila entre três tendências facilmente verificáveis na atualidade: A primeira propugna pela intolerância cruel e  sanguinária, que produz revolta e ojeriza por toda a parte; a segunda faz do misticismo exacerbado sua bandeira, então engana, aliena e emburrece quem a segue; a terceira escolhe outro caminho, do entretenimento e do show, preocupada em proporcionar aos seus um momento de prazer e descontração… E a vida continua, dura e difícil, depois do culto. Esta última tendência se soma às anteriores para formar o grande espectro religioso do ocidente. Enquanto isso, no oriente, segue mais fortalecida e com maior ênfase a vertente da intolerância.

Que mundo é este?  De um lado o radicalismo que mata e, do outro, a encenação que aliena. O homem, pó sua vez, vai se tornado cada vez mais cético, indiferente e avesso a tudo o que se apresenta como sagrado.

É precisamente neste cenário caótico e triste que emerge a imorredoura utopia cristã. E aqui me valho do sentido literal da palavra utopia (aquilo que ainda não tem lugar). Utopia é sonho que se realiza no processo da história e da vida, é a lembrança eterna e viva da soberania do Deus que governa a história, é a esperança de que o genuíno vencerá  corrompido; o profundo vencerá o superficial; a verdade vencerá o sofisma… O eterno propósito de Deus desbancará as religiões ensimesmadas e seus patrocinadores.

Precisamente em função dessa utopia é que reputo por oportuna e valiosa esta contribuição que Jorge Bezerra, teólogo, pastor e escritor, nos oferece nas páginas que seguem. A obra aborda com ritmo, criatividade e vivacidade, a problemática religiosa da humanidade; faz emocionante viagem pelas épocas bíblicas, perpassando momentos de inusitado impacto, sobretudo nas priscas eras do Antigo Testamento. O autor analisa o advento do Cristianismo e seu efeito no mundo de então. Mergulha com a profundidade certa, respaldada numa hermenêutica segura, no sentido do conteúdo do puro Evangelho. Demonstra por fim, o potencial libertador da graça de Jesus Cristo.

Jorge Bezerra é pastor por mais de uma vintena de anos, tem o coração voltado para as necessidades mais profundas do humano. Dentre suas qualidades, agora perceptíveis pela escrita, admiro em particular a paixão com que pratica suas convicções teológicas e o ardor que emprega no cuidado com o Rebanho do Senhor.

Ao ler este livro você verá que a utopia vale a pena e que em breve ela se converterá em topia, para honra e glória do Senhor Jesus Cristo. Estou convencido ainda, de que ao lê-lo sua vida será impactada; não pela retórica do autor, tampouco pela beleza evidente do seu estilo cativante; mas sim pelo doce, bendito, genuíno, poderoso e puro Evangelho que se percebe destilar das suas páginas.

Sua conclusão, por fim, com toda certeza, não será diferente da do autor: Religiosidade: Nunca mais!

Boa leitura!

Cuiabá, Verão 2003.

Lécio Dornas

Prefácio a

Bezerra, Jorge de Oliveira. Religiosidade? Nunca mais!. Rio de Janeiro, Editora Cháris. 2003.

Orando com propósito

ORAR É IMPRESCINDÍVEL!

 

Será que a oração faz sentido? Orar é sensato?

Num mundo que cada dia sacraliza mais o humano, endeusando-o até, não fica difícil pensar em oração? Há até quem sugira que oração é coisa de gente fraca, de gente de pouco pensar… de gente sem coragem para enfrentar a vida… Mas a pergunta permanece: faz sentido orar neste iniciante século 21?

A resposta de qualquer cristão sincero precisa ser um retumbante SIM.

Hoje, mais que em qualquer outra época, orar não apenas faz sentido como é fundamental. É mesmo possível dizer que sem oração não dá para viver.

Orar é tocar o céu, é atraí-lo, é convidar o eterno ao tempo.

Orar é conversar, é se abrir, é se lançar nos braços de Deus!

Aprendemos a orar na dor, nossa e do outro. Crescemos na oração nas horas de tribulação. Vencemos com a oração os vales e os desertos da vida.

Pela oração, ousamos, nos atrevemos, saltamos, antevemos. Mediante a oração, lutamos, vencemos, conquistamos e triunfamos; por meio dela, aprendemos mais de Deus: de seu relacionamento conosco, de seu caráter e de sua bondade. Concluímos: orar é imprescindível!

Em boa hora, portanto, Vitor Hugo, pastor experimentado na oração, líder espiritual da Primeira Igreja Batista de Cachoeiro de Itapemirim, ES, nos brinda com este Orando com propósito. Em boa hora, pois é questão de testemunho, novidade e realidade.Testemunho, porque Vitor Hugo é  um homem de oração. Há mais de uma vintena de anos nas lides ministeriais, pastoreando no Brasil e também nos Estados Unidos, tem sua vida, no âmbito familiar e eclesiástico, marcada pela dedicação de ministrar ante o altar de Deus e interceder junto ao Trono da Graça.

Vivenciando as demandas do ministério pastoral, Vitor Hugo escreve para os crentes sinceros que desejam experimentar mais de Deus em suas vidas. Novidade, pela forma que escolheu abordar a temática da oração, sempre com criatividade e profundidade bíblica, trazendo reflexões oportunas e explorando aspectos do tema até então intactos na literatura do gênero. Realidade, porque lembra o leitor de que, conectado no canal da bênção, ele poderá experimentar o poder de Deus no enfrentamento da batalha espiritual com a qual lida a cada dia.

O que mais admiro no, agora escritor, Pr. Vitor Hugo é sua capacidade de fazer seu coração transparecer no que prega e escreve. Aquele coração cheio de amor pelas ovelhas do Senhor, de graça e de dedicação pelo ministério santo é facilmente percebido nas páginas que seguem, de modo que o leitor encontrará, além dos ensinamentos ricos do texto, no coração do autor, incentivo para mudar sua vida por meio da oração.

Estou certo de que sua vida será abençoada com a leitura deste texto. Estou certo também de que você experimentará mais de Deus nas páginas que seguem…

Boa leitura!

Lécio Dornas

 

PREFÁCIO a

Sá, Vitor Hugo Mendes de. Oração com propósito. Rio de janeiro, Editora MK. 2004.

Filhos de Deus vivendo em abundância

PAI!

Para referi-se à relação de Deus com o ser humano a Palavra de Deus vale-se de algumas construções extremamente comunicativas e denotadoras de conectividade: Deus e homens, Senhor e servos, Criador e criaturas, pastor e ovelhas, Rei e súditos, Pai e filhos. Cada uma dessas construções revela algo especial que deve ser destacado, aprendido e observado para um bom relacionamento nosso com a pessoa de Deus. Deus aponta para a sua divindade, Senhor para a sua autoridade, criador para o seu poder, pastor para o seu cuidado, Rei para o seu governo e pai para o seu amor.  É simplesmente maravilhoso sabermos que, em nosso relacionamento com Deus, tudo que precisamos para a nossa felicidade e para nossa realização pessoal, nos é disponibilizado.

No entanto, é precisamente na dimensão pai e filhos, que encontramos a construção mais segura, íntima e profunda. Sobre todas as coisas Deus é pai. E deseja ser o pais de todas as pessoas. A Bíblia ensina o pré-requisito da fé no nome de Jesus “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.” ( João 1:12 – RA ). Devemos entender que a palavra ‘poder’ neste texto traduz o grego ‘exousian’que significa, neste caso, ‘direito’, ‘prerrogativa’, ‘privilegio’.  Assim, os que recebem Jesus Cristo pela fé, recebem a prerrogativa, o privilégio ou o direito de serem feitos filhos de Deus. A partir daí a relação de amor entre Pai e filho tem início e o ser humano começa experimentar tudo que advém dessa paternidade espiritual.

O ocorre é que há implicações e aplicações advindas do fato de sermos filhos de Deus. Nossa vida ganha uma dimensão de valor extraordinário, as bênçãos são enormes e as oportunidades que emanam de nossa vida como filhos de Deus são simplesmente imprevisíveis.

Exatamente neste contexto de entender, tomar posse e usufruir os benefícios da nossa identidade de filhos, bem como de assumir e responder à responsabilidade oriunda da natureza de Deus como nosso Pai, é que emerge o expressivo texto “Filhos de Deus”, de Manoel Valentim.

Na obra o autor aborda de forma abrangente, embora objetiva, e essencialmente bíblica as questões relativas à nossa aceitação como filhos de Deus, as implicações deste fato e as aplicações pertinentes dele decorrentes. É uma experiência muito edificante o nosso contato com as colocações do autor; pois o que nos toca nos textos de Manoel Valentim é a firmeza de suas convicções sempre muito bíblicas, a docilidade de suas aplicações sempre muito pertinentes e a determinação com que tenta praticar, como cidadão, esposo, pai e servo de Deus, as verdades que, de forma bela e estilo convidativo, faz emanar das páginas das Escrituras Sagradas, fazendo-as jorrar em sua própria experiência diária e, a partir deste livro, atingindo a todos nós, possibilitando-nos a alegria da redescoberta de Deus como o nosso eterno Pai.

Estou certo que este texto representa uma grande contribuição para a literatura evangélica no Brasil.

Boa leitura!

Salvador, Bahia, verão de 2007

Lécio Dornas 

PREFÁCIO a

Valentim, Manoel. Filhos de Deus. João Pessoa. Edição do Autor. 2007

Muito mais de Deus

DA MEDIOCRIDADE À EXCELÊNCIA!

Sua vida cristã é medíocre, no sentido mais puro do termo, está na média, corresponde mais ou menos ao que todo mundo experimenta? 

A vida de muitos cristãos em nossos dias se tornou uma mesmice sem graça e sem sentido. Vazia mesmo de significado e de relevância. Oração, um simples exercício de espiritualidade vazio de vida; igreja, um vínculo social despido de qualquer dimensão de valor; louvor, entretenimento religioso…e por aí vai.

É claro que os que embarcam nesta rotina evangélica, nunca admitiriam sua artificialidade ou sua superficialidade. No entanto sabem, quando olham para dentro de si mesmas, que a sua experiência de vida cristã está distante, anos-luz, do que vemos proposto no Sermão da Montanha, onde Jesus nos convida a uma vida abundante, cheia de significado e de esperança: Vida de verdade!

De fato, muita coisa aconteceu nas últimas décadas que, de uma forma ou de outra, acabou desencadeando este marasmo espiritual que caracteriza a vida de muitas pessoas, igrejas e denominações no mundo inteiro.

No âmbito pessoal, o que se vê é uma embalagem até bonita em alguns contextos, mas nada mais que embalagem vazia, oca, sem conteúdo. No que se refere à igreja o que se enxerga é uma religiosidade inútil e até diabólica, posto que adota uma linguagem espiritual para encobrir uma realidade de causar vergonha. Vê-se, ainda neste contexto, a supremacia da forma sobre o conteúdo, a supervalorização do exterior em detrimento do interior, a adoção da mentida em substituição da verdade. Quando de focaliza as denominações o quadro é ainda mais triste:  A piedade cedeu lugar à política, a estrutura organizacional expulsa as pessoas, as tradições competem com o que é relevante e, o que é ainda pior, as coisas, os patrimônios e as instituições tendem a ser mais importantes que os seres humanos criados à imagem de Deus.

Este retrato revela a dimensão do desafio do Reino de Deus em nossa geração. Mostra a grande tarefa da Igreja de Cristo de, com a sua luz, expulsar as trevas que se instalaram de forma tão viu e triste.

Precisamente neste tempo, tão rico de desafios e denso de oportunidades, emerge, na literatura cristã contemporânea, este texto “Muito mais de Deus”, do Pr. Eber Silva. O livro é um apelo à volta ao que é genuíno e verdadeiro. Propõe o que Paulo chamou de “transformação pela renovação do entendimento” ( Romanos 12:2 ). Ou seja, uma mudança de vida.

Para Eber, a mudança necessária em nossa geração acontecerá quando os cristãos experimentarem muito mais de Deus em suas vidas. Quando o inconformismo com a mediocridade abrir para os cristãos,  igrejas e denominações, uma porta de acesso à excelência.

O texto aborda a problemática da importante intimidade que devemos ter com o Senhor, perpassando pelos enfoques de uma vida abundante com Deus no Seu amor, na obediência, no serviço e no louvor. A abordagem é, sem dúvida, kerigmática, proclamadora. O livro é um verdadeiro púlpito em letras!

O mais fascinante, no entanto, é que Éber Silva escreve a partir de sua vivência pastoral. É o próprio profeta de Deus e pastor de vidas discorrendo sobre a necessidade clamorosa de um avivamento marcado pela abundância de Deus na vida das pessoas e, conseqüentemente, na vida da igreja. Não se trata, vejam bem, de um teórico ou de um curioso sobre a igreja. O texto que segue nasce de uma experiência pastoral amadurecida no cuidado do rebanho de Deus e numa liderança linda e vitoriosa, responsável, no plano humano, por um crescimento sem precedentes.

O que mais me chama a atenção na vida de Éber Silva, é o seu coração de pastor. Seu amor pelas pessoas é facilmente perceptível nas páginas deste livro. Ao ler o texto, a gente se sente tocado, amado e abençoado; pois é escrito com o coração de um pastor. Então, o Supremo Pastor se faz presente por entre essas linhas tão bem escritas…

Estou certo de que “Muito mais de Deus” vai ajudar a igreja de hoje na vivência do puro Evangelho do Reino, no experimentar das maravilhas do Senhor e, por fim, no apresentar para o Rei dos reis e Senhor dos senhores, uma vida como aquela dos que amam a Deus e trilham a vereda dos justos, que é “…como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” ( Provérbios 4:18 – RA ). Será então, o romper definitivo com a mediocridade e o abraçar pleno como excelência.

Boa leitura!

Lécio Dornas

PREFÁCIO a

Silva, Éber. Muito mais de Deus. Rio de Janeiro, MK Editora. 2006.

Os Guetos da alma

Aqui entre nós, há um verdadeiro exército ao nosso redor cotidiano, indo e vindo a todo o momento, gente cheia e vazia ao mesmo tempo. Gente plena e carente, próspera e pedinte, sábia e perdida, sã e doente; gente simplesmente. Mas gente que sofre, que geme, que curte quieta os dramas mais gritantes e horrendos que podemos imaginar. Gente trancada num quarto sem esperança e sem vontade de viver; gente enfurnada em si mesma, sentido a acidez da culpa; gente fugindo de tudo e todos, fugindo de si mesma e até da fuga; gente ansiosa, agitada e impaciente, inquieta e insegura; gente se mordendo por dentro, alimentando, com o próprio sangue, a fera do ódio, que mata, que bate, que corre, que pega e se pega, de repente, em flerte com o caos.

Tais pessoas estão tanto em favelas como em palácios, tanto nas fábricas como nos grandes escritórios, tanto nas ruas como nas lojas, tanto nos infernos da cidade moderna como nos santuários. Estão nas academias e nas sarjetas, nas igrejas e nos meretrícios,  nas escolas e nos pontos de venda de droga. São pessoas de todo tipo e todo lugar. Afinal, os problemas existenciais não são privilégio de ninguém, e “enfim, há ocasiões  que, quanto mais nos dedicamos à reflexão e tentamos gerir nossos processos mentais, mais nos perdemos nos labirintos dos nossos pensamentos e emoções.”[1]

Assim, vivemos dias quando a nossa atenção precisa voltar-se para a realidade da alma humana. O que as pessoas são e enfrentam dentro delas mesmas; suas inquietações mais íntimas, seus sofrimentos mais cruéis, seu choro mais intenso. Muita vez, reconhecemos, é o próprio Deus que está a nos provar e, não raro, por causa de nossa imaturidade e insipiência espiritual.  Temos que admitir que “às vezes tentamos provar a nós mesmos que Deus está contente com o nosso grau de maturidade, ao passo que, de fato, o Espírito Santo está gentilmente nos levando às regiões mais escuras de nossa alma, as quais fazemos de conta que não existem.”[2] Em momentos como estes, clamamos por socorro, pedimos ajuda, ansiamos por alguém que nos amenize a dor.

E é aí que se destaca a Palavra de Deus, como fonte inesgotável não apenas de respostas, mas de suprimento das necessidades humanas. Na Palavra de Deus o ser humano encontrará tudo o que precisa para superar as crises, enfrentar os dissabores, vencer os obstáculos e driblar as circunstâncias adversas de forma abençoada e saudável. Com a Bíblia guetos se convertem em oásis.

Gueto vem do “italiano ghetto (1516) ‘região onde, em algumas cidades, os judeus eram obrigados a morar’, fig. ‘ambiente fechado, não acessível’ “[3] É precisamente neste último sentido, figurado, que o autor deste texto emprega o termo; faz referência às ambiências inescrutáveis da psique humana. Regiões inóspitas e inacessíveis, que guardam, a um só tempo, angústias, mágoas, ressentimentos, medos e esquisitices inerente ao humano.

Wellison Magalhães Paula é uma das mais belas expressões de luz e esperança no pensar evangélico deste início de século e  de milênio. Detentor de uma imaginação fértil e de sobeja criatividade, Wellison tem ainda ao seu favor uma versatilidade enorme no trato com as Escrituras e uma capacidade singular de construir amizades e abençoar pessoas. É escritor já de outros textos, vívido pensador cristão contemporâneo, escreve, no entanto, a partir da sua experiência pastoral. Wellison tem o coração na missão de guiar as ovelhas do Senhor, vivencia os dramas de um rebanho alquebrado e tantas vezes sofrido. Escreve, como diz, para aqueles que têm “feito do travesseiro o companheiro de uma madruga sempre muito longa”.[4]

No texto, usando de uma linguagem ao mesmo tempo convidativa e inteligente, perpassa os mais alardeados dilemas do ser humano, tece considerações arejadas e despidas de pietismos inúteis e de racionalismos baratos. Suas colocações são intensamente bíblicas e, maior das vezes, respaldadas por uma bibliografia rica e atual.

Em Os Guetos da Alma o leitor encontrará alinhamento, alimento e alento. O primeiro, pelo viés da informação, alinhando o leitor com o que há de mais atual em termos de reflexão sobre os temas existenciais; o segundo, pelo viés da hermenêutica bíblica genuína, propiciando alimento sólido em termos bíblico-teológicos, fundamentais à prática da nossa fé; o terceiro, por fim, pelo viés de sua abordagem pastoral, procurando sempre a nota de consolo, do conforto e da paz; trazendo refrigério e descanso, alento e esperança aos corações quebrantados.

Ao ler este texto, salta-nos aos olhos a natureza singular do nosso Deus. Único capaz de reverter os processos de desgraça e de ódio na vida das pessoas; único poderoso para neutralizar os dardos malignos desferidos contra os corações; o único capaz de inaugurar um novo capítulo, após a vida das pessoas lhes ter desenhado epílogos.

O texto com o qual Wellison nos brinda  fala de um Deus pronto para converter em oásis os mais angustiantes guetos da alma. Ler este livro é encontrar-se com os horizontes de Deus!

Cuiabá, Verão de 2002.

Lécio Dornas

PREFÁCIO

a Paula, Wellison Magalhães. Os guetos da alma. Rio de janeiro, edição do autor. 2005.

Tito - Introdução e Comentário

Cumpro com alegria a tarefa de escrever a apresentação desta obra de seu autor. Pedro Moura é amigo de longa data, desde que o conheci venho admirando sua seriedade e a reverência como que trata o texto sagrado. Tal reverência é de fácil percepção, tanto pelo cuidado de buscar preparo acadêmico, especialmente no que se refere à análise do texto bíblico, o que implica no domínio dos idiomas nos quais foi originalmente produzido; como também pelo fôlego no empreendimento de pesquisa tão séria e abrangente como se observa neste comentário. 

Pedro Moura é Mestre catedrático com larga experiência na docência teológica, em sua ficha de serviço prestado nesta área, consta sua cooperação como professor em renomados Seminários no Brasil, a exemplo do Seminário teológico Batista do Sul do Brasil; bem como nos Estados Unidos da América, tendo lecionado no New Orleans Baptist Theological Seminary.

Para tornar ainda mais robusta sua formação, Pedro Moura buscou preparo em Jerusalém e nos Estados Unidos. O resultado de sua formação acadêmica transparece nas páginas que seguem. Aqui neste texto, o leitor encontrará uma conseqüência de experiência acumulada desde quando foi o diretor geral da Imprensa Bíblica do Brasil, atuando inclusive como revisor da Bíblia, até a oportunidade que tem tido de estudar com professores altamente qualificados, como os que fazem parte do quadro de docentes do Seminário Teológico Batista do Sul dos Estados Unidos, em Louisville, KY.

Iniciando com este comentário à Tito, com o qual homenageia sua turma no curso de Bacharel em Teologia que completa em 2008 30 anos de formatura, Pedro Moura, pretende prosseguir escrevendo comentários ao texto do Antigo e do Novo Testamentos, o que escreveu à Epístola aos Hebreus já está no prelo, outros virão a seguir. Isso mostra como o autor deste livro intenta dedicar-se ao ministério de produção de literatura voltada para o conhecimento profundo da Palavra de Deus.

Na verdade Pedro Moura não poderia ter sido mais feliz na definição de seu labor daqui por diante, pois ajudar as pessoas na compreensão das Escrituras Sagradas pela estrada da literatura, é mister dos mais nobres e relevantes. Aliás, é exatamente aqui que a obra que o leitor tem em mãos exibe seu diferencial: É obra relevante! Num tempo quando tanta literatura de superfície enche as prateleiras das livrarias, Pedro Moura vai na direção oposta, apresentando um texto sério, bem escrito, de leitura cativante e amparado na melhor bibliografia disponível em nossos dias; erudito no conteúdo sem deixar de ser claro e preciso na linguagem e  na forma.

É também relevante em função da ponte que o autor segue construindo ao longo do texto, entre o mundo da Bíblia e o homem de hoje.  Quando tal ponte não é edificada, o texto descamba para um informativo detalhado, embora de pouca ou nenhuma utilidade. Mas Pedro Moura é prodigioso na aplicação sobeja da Palavra de Deus às situações concretas na vida das pessoas.

Sem dúvida não laboraremos em equívoco se classificarmos a presente obra como uma contribuição importante para a formação do pensamento e motivação da obra de Deus , através das igrejas. O estilo de Pedro Moura escrever, bem como a contundência de suas afirmações, sem sobra de dúvida, encontram seu principal amparo na visão da “…graça de Deus que se manifestou trazendo salvação a todos os homens…” , do homem e da Bíblia. Pois o que temos aprendido desde sempre é que o homem é como uma erva, e a glória deste homem, como a flor da erva. “… seca-se a erva, caem as flores, mas a Palavra de Deus permanece para sempre.”  ( Isaías 40:8b ).

Por fim, desejo a você leitor, uma feliz experiência com Deus, a parir da leitura deste livro, como o qual Pedro Moura nos brindou!

Soli Deo Gloria!

Salvador, inverno de 2008.

Lécio Dornas

Inteligência conjugal

Mas será que casamento ainda é uma opção relevante e viável para o homem hoje, no terceiro milênio? Será que faz ainda algum sentido esta instituição que demonstra enfraquecimento acentuado e crescente a cada geração? Será que ainda há quem acredite ou deposite esperança neste modelo supra milenar de convivência a dois a partir dos parâmetros da fidelidade e lealdade recíproca fundamentada na exclusividade onde um é somente do outro e vice versa? É possível que duas pessoas completamente diferentes, que decidam viver juntas para sempre, construindo uma família a partir de sua união, logrem êxito em seu intento? Por fim, casamento ainda é uma boa? O fato é que a instituição do casamento tem sofrido, ao longo dos anos, ataques e questionamentos. Também presenciamos paradigmas novos para a relação a dois descomprometidos com os parâmetros da coabitação, da interdependência financeira, da fidelidade e da idealização de um futuro comum. Ao que parece, a sociedade caminha para o descortinar de modelos heterodoxos de relação a dois e de família. Por esta linha de raciocínio, a resposta às perguntas mencionadas acima deve ser um inquestionável ‘não’. Ou seja, a seguir o rumo para onde as coisas estão indo, o casamento na concepção tradicional que o cerca, tornar-se-á cada vez mais uma instituição vazia de sentido.É exatamente neste contexto ideologicamente complexo e cheio de conflitos que emerge o texto de Luiz Tarquínio: “Inteligência Conjugal”. E a resposta que ele apresenta para as questões levantadas acima é um sonoro ´SIM´. Luiz não embarcou na canoa do descrédito ao casamento. Antes, remando contra a correnteza ideológica do presente século, apresenta princípios que, uma vez observados, podem assegurar o sucesso no casamento. Sim, o casamento é uma boa! Mas, para ser feliz, demanda dedicação, amor, respeito, companheirismo, disposição para o perdão, escolha e compromisso. O texto com o qual Luiz brinda os leitores, está eivado de fundamentação bíblica, despido de clichês e de preconceitos e ainda permeado de esperança. O autor escreve cheio de esperança em ajudar na construção de casamentos abençoados. Nas páginas que seguem o leitor encontrará não uma cartilha, tampouco um manual frio sobre casamento. Mas sim um texto sinalizador de caminhos, indicador de alicerces e ofertante de conselhos e dicas vazados, inclusive, na vivência do dia a dia. O leitor verá que o casamento ainda é uma boa, que duas pessoas podem ser muito felizes juntas, que é possível amar e ser fiel a quem escolhemos como cônjuge e que o modelo de casamento, tão agredido em nossos dias, é o segredo para a edificação de famílias saudáveis e, por conseguinte, de uma sociedade imune aos vírus de natureza moral, social e espiritual que se espalharam pelos meandros da nossa cultura. Casamento é uma boa! Por isso, a leitura deste texto é uma muito boa!

Cidade do Salvador, verão de 2007.

Lécio Dornas

Teólogo, Educador e Escritor.

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